O açúcar e as funções cognitivas

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açúcarJá sabemos o quanto o açúcar prejudica o organismo, causando obesidade, desequilíbrio nutricional, decadência e até morte. E sabemos também, como explicado em outro post neste blog (Nosso sangue não deve ser ácido), que o açúcar acidifica nosso sangue, gerando um ambiente propício para doenças, vírus e bactérias, por precisarem de ambiente ácidos para sobreviverem. Isso é afirmado também pelo famoso Dr. Hay e outro médico norte-americano, Dr. Theodore A. Baroody, que publicou o livro Alkalize or Die (Alcalinize ou morra), no qual reafirma a teoria de seu colega. “Os incontáveis nomes de doenças realmente não importam. O que realmente importa é que elas todas vêm da mesma causa-raiz: excesso de resíduos ácidos no organismo”. Além desses malefícios, um organismo acidificado tende a manifestar sentimentos, emoções e reações “ácidas”. A raiva, inveja, ansiedade, ciúme, excesso de julgamentos e críticas, exercícios físicos obsessivos, competições, calor em excesso, desidratação, etc. que pioram a acidificação do organismo em questão de segundos, virando um ciclo vicioso. E também já foi provado o quanto o açúcar é viciante, gerando um dependência química semelhante a drogas como a Cocaína. A Dra Christiane Northrup teve a coragem de comparar o açúcar (derivado de planta, isolado, refinado e concentrado, viciante que causa diversos problemas de saúde) à cocaína (derivado de planta, isolado, refinado e concentrado, viciante que causa diversos problemas de saúde).

Para explicar melhor essa comparação da Dra Christiane Northrup, vou citar um estudo sobre efeitos do açúcar no nosso corpo, onde os cientistas alimentaram ratos com cocaína e açúcar por um período de tempo, e depois de um mês nessa dieta, os ratos desenvolveram mudanças comportamentais no cérebro idênticas às dos animais viciados em morfina. E foi constatado também um comportamento ansioso quando o açúcar foi retirado da sua dieta.

Os pesquisadores também observaram que os cérebros dos ratos liberavam o neurotransmissor dopamina cada vez que tomavam a açúcar. A dopamina é responsável pela busca do prazer, seja pela comida, drogas ou sexo. Ao mesmo tempo, a dopamina é vital para a aprendizagem, memória e tomada de decisão. Essa foi uma das primeiras pesquisa que relacionaram como verdadeira a dependência por açúcar, e em outro estudo publicado em 2001 no periódico “The Lancet”, descobriram uma deficiência de dopamina no estriado do cérebro de indivíduos obesos que era praticamente idêntico ao dos dependentes de drogas.

E agora, como se já não fosse prejudicial o suficiente, uma nova pesquisa mostra outro malefício causado pelo açúcar, que será o foco deste post.

A professora Kathy Magnusson conduziu uma pesquisa em uma Universidade onde constatou que o consumo de açúcar ou gorduras influencia diretamente nas nossas capacidades intelectuais, principalmente na memória e a flexibilidade cognitiva, reduzindo a capacidade de raciocínio lógico.

Nesta, foi observado em ratos submetidos a três dietas distintas: uma rica em gorduras, outro rica em açúcar e um terceiro normal, para fins de controle e comparações. Durante todo o período da pesquisa, os animais foram submetidos a uma série de testes para mensurar seu desempenho cognitivo.

Para realizar a pesquisa foi instalado um aquário com uma plataforma submersa, para que o rato possa subir e descansar. Em condições saudáveis, os animais conseguiram reduzir progressivamente o tempo que levava para achar a plataforma. Podendo assim testar a memória do animal e também a flexibilidade cognitiva ao trocar posição da plataforma, fazendo com que tenham que se adaptar para reencontrá-la.

A pesquisadora constatou que houve uma demora maior de nado e de adaptação com os ratos que consumiram uma dieta rica em gordura e açúcar. Tendência mais marcante principalmente na flexibilidade cognitiva do que na memória.

Um exemplo, citado no Supera Online, explica como isso funciona para humanos: “Imagine que você está no seu carro, voltando para casa, pelo mesmo caminho de sempre. Ou seja, fazendo algo que você está condicionado a fazer. Um belo dia, a estrada está interditada, e você deve procurar outro caminho para voltar à sua casa.” Uma pessoa com flexibilidade cognitiva boa, conseguirá se adaptar e encontrar uma nova alternativa rapidamente. Caso contrário, terá dificuldade em se adaptar e de pensar em um novo caminho ou uma solução para o problema, deixando a situação mais estressante.

Kathy Magnusson afirma que os resultados provaram que as bactérias intestinais se comunicam com o cérebro por liberarem substâncias que estimulam os nervos sensoriais ou o sistema imunitário, afetando diversas funções biológicas. Grandes quantidades de açúcar ou gorduras modificam a flora intestinal e, consequentemente, a forma como a mesma atua em nosso funcionamento biológico.

Então, por conta de tudo isso, fica mais do que claro que o consumo do açúcar deve ser o mais restrito o possível, ou, na medida do possível, trocado por opções orgânicas como o açúcar demerara, ou adoçantes naturais como a frutose, o açúcar de beterraba, melado de cana, estévia entre outras opções mais saudáveis. Friso aqui também, a importância da diminuição do açúcar na infância, já que as crianças ainda estão desenvolvendo suas funções cognitivas.

Sei que muitas pessoas vão comentar a questão dos preços das opções mais saudáveis, e se for o seu pensamento no momento, reflita sobre o quanto vale a sua saúde, o quanto vale prover um desenvolvimento saudável para o seu filho, e o quanto você economizará de tempo e dinheiro com médicos e remédios aderindo opções orgânicas, integrais e mais saudáveis na sua dieta… Será que é mais caro mesmo? E, não vou nem entrar no mérito de que, por manter seu cognitivo saudável e sua qualidade de vida alta, o resultado dos seus trabalhos melhorarão e, consequentemente, terá mais prosperidade. Se você quiser emagrecer, ter uma vida saudável, bem-estar, prosperidade e etc, vai ter de melhorar o funcionamento do seu cérebro, porque ele controla seu metabolismo, ele toma as decisões do que comer ou não comer, do que fazer ou não fazer, etc.

Baseado na pesquisa: Magnusson K.R., Hauck L., Jeffrey B.M., Elias V., Humphrey A., Nath R., Perrone A., Bermudez L.E. Relationships between diet-related changes in the gut microbiome and cognitive flexibility. Neuroscience. 2015 Aug 6;300:128-40. doi: 10.1016/ j.neuroscience.2015.05.016. Epub 2015 May 14.